terça-feira, 15 de outubro de 2013

Profissão: publicitária frustrada

Eu corro o risco de perder meu emprego, assim como corro o risco de nunca mais trabalhar como publicitária em Campo Grande. Prefiro arriscar escrevendo esse texto e talvez descobrir que existe uma saída fora daqui ou que a única saída é abandonar a profissão.
Ser publicitária em Campo Grande está cada vez mais deprimente. Os atendimentos são quase sempre os donos da agência e eles só pensam em fazer o que o cliente manda. Porque o cara ta pagando e a gente só faz o que nos mandam. Produção e mídia geralmente são um só e quase nunca entende um ou outro. Apenas faz orçamento e na maioria das vezes mal sabe fazer um planejamento ou o que significa refilar, lettering ou como passar as medidas para criação.
O estagiário pensa que entende e argumenta de tal forma que você tenta encontrar onde tá a lógica.
A criação? Se frustra porque não pode criar, apenas executa o que o atendimento mandou porque o cliente quer porque quer assim. Pouco importa se a mídia não vai atingir o público dele ou se a cor não tem nada a ver com seu segmento. As campanhas começam a ser como o briefing: "atrativas", "diferenciadas" e "impactantes". Dá pra entender o porquê das aspas, certo?
Por que gastar ideia em uma campanha que nem vai pra rua? Pra que gastar saliva argumentando que B e A não são as mesmas coisas? Pra que sofrer se ninguém mais ta sofrendo?
O salário continua o mesmo, ano após ano. A não ser que você mude de agência e consiga um aumento de R$ 300,00. Tá bom, não tá?
Não, não tá.
Eu posso estar sendo hipócrita de escrever tudo isso e continuar trabalhando nessa área, mas to aqui porque preciso pagar minhas contas e isso é o que eu sei fazer. Ainda não encontrei outro rumo pra seguir, mas tenho planos e assim que eu encontrar o rumo certo eu dou no pé. Mudo de cidade ou talvez de profissão. Só tenho a certeza que do jeito que tá, não dá pra ficar muito mais.
Aquilo que aprendemos na faculdade e o que lemos nos blogs e sites de comunicação não acontecem no mercado local. Posso estar enganada, até porque não conheço todas as agências daqui e torço pra que alguma seja diferente das que conheço. Talvez meu padrão como redatora que não seja bom o suficiente e por isso to aqui sofrendo.
De uma coisa eu tenho certeza, que esse sentimento de frustração não acontece só comigo nem só na minha profissão, é claro. Ontem mesmo uma amiga jornalista reclamava de situação semelhante, mas ela ainda  tem prazer em ser jornalista. E acho que quando a gente tem amor pelo que faz todo o resto vem de brinde.
Eu perdi o amor nesses 4 anos de formada. Queria reencontrá-lo, mas tenho medo de me frustar de novo. Então não sei se insisto ou desisto.


7 comentários:

  1. Tenho a obrigação de concordar com tudo o que voce disse heim. Confesso que me sentia assim 2 anos atrás quando resolvi aceitar um trabalho na área administrativa. Quer dizer ainda me sinto, pois tenho amigos publicitários na mesma situação e eu acabo sentindo o mesmo pesar que eles. A falta de respeito em ao menos dar uma resposta (mesmo que seja não) após a entrevista me revolta. Já ouvi até alguns casos da má estrutura física de agencia, se querem tanto um publicitário "perfeito" que tenha o bom senso de oferecer boas ferramentas. Falta profissionalismo. Falta reconhecimento. Falta SANITÁRIO. Falta até a faxineira pra recolher o lixo dos últimos 15 dias. Sim isso está em falta, acredite se quiser. Talvez eu seja mais uma que também nunca mais será contratada por esta opinião, mas quer saber, também já estou cansada de tanta exigência sem a menor valorização do profissional, principalmente de comunicação.
    É impressionante como o nosso padrão (como voce disse) nunca está à altura das agencias. Infelizmente.
    #ProntoFalei

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    1. Eu acredito em tudo que você disse, pois já passei (e passo) por situações semelhantes. Falta um monte de coisa, só não falta cobrança e pressão por ideias brilhantes. O triste é que não somos as únicas a viver essa realidade e a reclamar do que acontece. Nossa profissão não é a única que sofre com tudo isso. Nós nunca somos bons o bastante, mas será que nossos empregadores são? Fico contente por compartilhar sua opinião aqui no blog. Assim a gente percebe que não é uma minoria que passa por essas situações frustrantes e constrangedoras.

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  2. Tenho que concordar com você Stéphane. Sou públicitária também e quis desistir da vida de agência assim que me deparei com a triste realidade de fazer parte dessa profissão TÃO adorável. Na faculdade a gente se apaixona, acha que o mundo lá fora vai ser colorido e que vão nos dar o devido valor, mas em toda a agência realmente é a mesma coisa, das maiores as menores. Clientes pedem, agência faz e não tem vontade de inovar por medo do que os clientes vão pensar. Daí fica tudo assim, mesma arte de outdoor todas as semanas, nada novo e tudo cansativo. Concordo em gênero, número e grau. Espero que se encontre em outro lugar que com certeza será mais feliz.

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    1. É triste isso não? Nos formamos há pouco tempo e já estamos tão desestimuladas. É triste, deprimente e muito frustrante. Porque não só não nos encontramos no mercado como fica o pensamento de dinheiro mal investido naqueles 4 anos de faculdade. Eu rezo pra que exista salvação fora de Campo Grande porque pra onde eu olho e toda gente com quem converso da área só pensa pra onde fugir porque sabe que não dá pra aguentar muito mais. Ai você muda de agência pensando que vai melhorar, mas não. É igual ou pior. Enfim, to aqui na esperança de logo me encontrar em outro lugar porque nesse tá difícil achar a inspiração.

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    2. Muito! Uma pena mas como todo mundo diz, calma que no final dá tudo certo e você acha um caminho melhor! Beijos

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  3. Ser da geração Y é assim mesmo.. dá uma olhada sobre o assunto.

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    1. Uia.. interessante. Vou dar uma pesquisada, obrigada!

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